Se o caldo verde é a democracia à mesa, o arroz de pato é a aristocracia. Um prato que exige tempo, técnica e ingredientes de qualidade. Não há atalhos — e é exatamente por isso que merece ser feito.

Um Prato de Festa

O arroz de pato não é comida de terça-feira. É Natal, Páscoa, aniversários importantes. É o prato que a avó fazia quando a família toda se reunia, o que demorava o dia inteiro a preparar mas valia cada minuto de espera.

Ingredientes

  • 1 pato inteiro (~2kg)
  • 400g de arroz carolino
  • 200g de chouriço de carne
  • 2 cebolas, picadas
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • Vinho branco (1 copo)
  • Azeite q.b.
  • Sal, pimenta, colorau
  • Salsa fresca

O Processo

Este prato divide-se em três fases distintas. Cada uma exige atenção.

Fase 1: Cozer o Pato

  1. Tempere o pato com sal, alho esmagado e colorau. Deixe marinar umas horas (ou de véspera).

  2. Numa panela grande, cubra o pato com água. Junte uma cebola, louro, e sal. Coza em lume brando durante 1h30-2h, até a carne se desprender facilmente do osso.

  3. Reserve o caldo — é ouro líquido. Desfie a carne, descartando peles e ossos.

Fase 2: O Arroz

  1. Refogue a cebola restante em azeite generoso. Junte o chouriço cortado em rodelas.

  2. Adicione o arroz e deixe envolver na gordura.

  3. Verta o caldo do pato, quente, na proporção de 2:1 (caldo:arroz).

  4. Coza em lume brando, sem mexer muito, até o arroz absorver quase todo o líquido. Deve ficar malandrinho, não seco.

Fase 3: O Forno

  1. Numa travessa de barro untada, disponha camadas: arroz, pato desfiado, arroz.

  2. Regue com mais caldo se necessário. O arroz deve estar húmido.

  3. Disponha rodelas de chouriço por cima em padrão decorativo.

  4. Leve ao forno a 200°C durante 20-30 minutos, até formar crosta dourada por cima.

A Crosta

O teste final de um arroz de pato: a crosta. Tem de ser:

  • Dourada, quase caramelizada
  • Estaladiça quando a colher a parte
  • Contrastando com o interior húmido e cremoso

Se não há crosta, é arroz com pato. Respeitável, mas não é a mesma coisa.

“O arroz de pato é uma declaração de amor. Diz: ‘Passei o dia inteiro na cozinha por ti.’ Não há maior prova de afecto.”

Sirva directamente da travessa de barro. Não transfira para prato de serviço — perde o encanto. E abra uma garrafa de tinto do Douro. Merece.